Thursday, January 04, 2007

Ouço essas letras

Esse blog é criado para os sons que ouço dos meus amigos, dos livros, das imagens, do mundo e do meu mundo!



"Só acredito num deus que saiba dançar!"
Friedrich Nietzsch

Pés



Nossos pés, nossa caminhada!

"Pés: o primeiro desafio
O equilíbrio do corpo começa nos pés, pois o trabalho básico do pé e do tornozelo é oferecer uma base confiável pela qual a parte superior do corpo possa se relacionar com o plano horizontal da terra. Só trazendo-se a paz "do solo para cima", os problemas da parte superior do corpo podem ser compreendidos."

Ida P. Rolfing

Só larga o sapato quem sabe andar descalço!
De toda a beleza de certos pés,
tenho aquela só minha que se planta no chão.
Parte a parte me estimulando a seguir
por qualquer estrada,
mesmo que áspera,
mesmo em diáspora,
mesmo dançando
só.

Maristela Trindade
(Terapeuta e preparadora Corporal)


Maristela Trindade



De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

Ferreira Gullar

outros



Acho bem fácil de imaginar que desde que surgiram os primeiros seres humanos na Terra, eles tenham se juntado a outros para satisfazerem necessidades que, sozinhos, teriam muito mais trabalho ou talvez nem conseguissem. Devem ter percebido rapidinho que teriam mais sucesso tanto para ajudar na caçada quanto para defender quando estivessem sendo caçados. Daí em diante o homem não pôde mais ser imaginado como totalmente só, parece que já nascem com tendências naturais à associação. “O homem é um ser social”, só se sustenta como tal quando em contato com outros. Por que então, eu deveria conseguir tudo por mim mesmo? Por que não contar com a ajuda dos outros? Fazemos de tudo pelos outros, eu corto meu cabelo parecido com os outros ou então eu corto para ficar com o cabelo bem diferente... dos outros! Nós somos os outros com um toque de nós mesmos, sendo que nós mesmos já estávamos impregnados pelos outros quando nos tornamos nós mesmos. E é nesse jogo de apropriação e recriação que evoluímos e transmitimos e recebemos e nos misturamos a cada momento transeunte. E eu que já entendi que nasci para e pelos outros, cansei de escutar que é “cada um por si”, e que o objetivo da vida é vencer os outros. Percebam que a união dos humanos é em prol do grupo, não tem porque UM querer sobrepujar os demais. Dizem que o homem pensa, mas quem pensa é o bicho, o homem trama! Eu não tenho nenhuma personalidade, sou um pouquinho de cada um que me atrai, adoro cópias imperfeitas e ando a vida atrás de mais influenciações para minha identidade que parece não ter fim. Eu sou só vida e morte. Eu sou os outros!
dudu pererê



obs: uma vez conheci um homem-formiga. Fui atrás, pela minha natureza-prima. Ele, mais atualizado, não faz laços com laços e nó.
Perpetua a construção, desconstruindo, reconstruindo, fluindo.
É adepto da positiva distração e então de súbito, provocará uma nova ação,
um movimento-carnaval pois a formiga não abandona, recria caminhadas, só parando, creio eu, pra reelaborar as passadas.
Por vezes o coletivo formiguês cai nas garras do detetizador.
E aí, naturalmente vai a formiga que, senão sobreviver no seu corpo,
existirá no outro.
Sorrindo! Sorrindo!
Sorrindo! Coletivo!
Coletivo-formiguês!

para dudu pererê e dan magrão mercúrio

"...O que acontece com ele começa a me ser íntimo: eu sou Isso que vejo. Eu sou um medo sem forma, sem explicação. Sou um detalhe, uma ponta fina, uma barbaridade, um arregalar de olhos. Sou o que não quero ver. Eu sou esse que teme. Que tem fome e humanidade. ..."

escultura Ed Sartori

texto-fragmento de Claúdia Calomeni
blog: www.inverdades.weblogger.terra.com.br

Wednesday, December 27, 2006

Thiago, Thiago Florêncio e Saboia

05 Março 2007


a nuvem agarra-se ao céu
como a garça ao vôo

como o pouso do sol no horizonte
agarra-se aos meus sonhos

ou o amor ao suor
agarram-se meus dentes
ao seu cheiro

como agarra-se a mão aberta
sem garras
ao vento forte

eu

procuro sempre agarrar-me ao
que escorre
e nunca fica

feito o mar espumante de esperma
agarra-se à menstruação da lua em eclipse

eu agarro-me errante
àquilo que nunca se abraça

o tempo instante
feito a careca deslizante do mar
sem cabelos pra se agarrar

pois justamente
agarrar o mar
é o ofício mais fascinante

como deslizar distraído e escorregadio
entre
o atrito convulsivo

da multidão em rush

....................................................................................


02 Dezembro 2006

para arrancar o coração do poste

foto de João Saboia - o inversor de enquadraturas, na esquina do São Clemente com a vila 107 - Botafogo de passagem e profundeza


para arrancar o coração do poste
um corte no meio
um grito na hora
para arrancar o coração do poste
nada de apostas
nada de pós
para arrancar o coração
para
desembalar
desembrulhar
o coração do poste
nada de pose nada de pop-stars
basta um pouco de bicho
de bucha cão
mais que ser
estar
assim se perceberá
quanta luz fria
ai deus meu quanto
iluminismo barato
atravessa o coração
de cada um de nós
para transar o coração do poste
para transar o coração à mostra
que palpita fora da cápsula contida nos corredores da morte
muita falta de decência
e de decoro
muita falta de clarezas e definições
para arrancar o coração do poste
muita sombra que dança
nas alterações

passagem do ano



Carlos Drummond de Andrade


PASSAGEM DO ANO


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o
[ calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória,
[ doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
[ clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do
[ acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
[ séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
[ espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Nelson Cavaquinho



A Flor E O Espinho

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca flor

Eu só errei quando juntei minh´alma à sua
O sol não pode viver perto lua

É no espelho que eu vejo a minha mágoa
A minha dor e os meus olhos rasos d´água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em teu amor

Composição: Nelson Cavaquinho/Alcides Caminha/Guilherme de Brito

Friday, December 22, 2006


O grande Momento

Inicia-te, enfim, Alma imprevista,
Entra no seio dos Iniciados.
Esperam-te de luz maravilhados
Os Dons que vão te consagrar Artista.
Toda uma Esfera te deslumbra a vista,
Os ativos sentidos requintados.
Céus e mais céus e céus transfigurados
Abrem-te as portas da imortal Conquista.
Eis o grande Momento prodigioso
Para entrares sereno e majestoso
Num mundo estranho d'esplendor sidéreo.
Borboleta de sol, surge da lesma...
Oh! vai, entra na posse de ti mesma,
Quebra os selos augustos do Mistério!





Cruz e Sousa***


Joao da Cruz e Sousa: Poeta Simbolista Brasileiro, 1861-1898.

Thursday, December 21, 2006




Valhalla

Está tudo fosforecente

Parece um campo de força

uma cápsula lunar

Está tudo vago

Estou nas fronteiras dos campos da Paz Celestial

Não ando.

Nado submerso no Mar Egeu.

Sossobro estabanado no Mar da Tranquilidade

Ferido em batalha adentro o Valhalla

E desfruto o hidromel das Walkyrias

Queres? Querias.

Parece que me transmutei em alguém

Esses cabelos não são meus

Esse tom de pele, eu desconheço em mim

Algo acontece e você não sabe o que é, mr. Jones

Eu sou o subtítulo de uma obra inacabada

Sou o sol de uma sinfonia atonal

Passei por um buraco no céu:

A loucura é um sopro no ouvido.

chacal / drops de abril / 83

Gregório de Matos



Pra vc...
isso é lindo....


O poeta observa a instabilidade das cousas do mundo:

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia;

depois da Luz, se segue a noite escura;

em tristes sombras morre a formosura,

em contínuas tristezas, a alegria.



Porém, se acaba o Sol, por que nascia?

Se é tão formosa a Luz, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto, da pena assim se fia?



Mas, no Sol e na Luz, falte a firmeza,

na formosura, não se dê constância,

e na alegria, sinta-se a tristeza.



Comece o mundo, enfim, pela ignorância;

pois tem qualquer dos bens, por natureza,

a firmeza somente na inconstância.

Gregório de Mattos***

Leia tudo, leia sempre com olhos...coração..com ALMA.
BEIJOS POÉTICOS - LG


Há dias
que de tanto o Sol brilhar
obscureço

Há dias
que dos brindes a saudar
eu convalesço

Há dias que florecem
e me despetalo

Há dias que me calo.


Beatríz Tavares



Dedicatória


Aos que amam, aos que não amam
e aos que não fazem a menor idéia do que lhes está acontecendo..."


Esses contos, se são meio amorosos, é porque, tenho certeza, não há mesmo muita certeza sobre o amor.

Ainda que impossível, como evitá-lo?... Mas, sinceramente, já que existe (e é, às vezes, tão bom...), por que tentar evitá-lo?...
De tal modo invade, que, de vez em quando, há que botá-lo para fora. Ou (a maioria prefere...), dependendo da hora, trazê-lo para dentro...
Alguns o escorraçam (ele volta, cachorrinho, tomando conta...). Outros, o agarram, se agarram a ele (que, felino, salta no ar...).
Eu, que não entendo o amor (como a maioria...), que tenho quando não quero e quero quando não tenho, tento administrar: mantenho a pose, mando recado, busco contato, escrevo qualquer coisa...
Daí, esses contos. "

Por Agnaldo Ramos
Fotógrafo e poeta

Amor Incondicional!


a máquina ama o tempo
que ama o desfazer-se
que se desfaz
que se recompõe de amor
que ama
qualquer amor
qual uma dor que se espalha
querendo doer-te
parte para tuas entranhas
nas dores estranhas de ontem
para as manhãs de hoje
do amor incondicional
da maquina ainda somos...

Sandoval Fagundes, quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

MARKO ANDRADE III



Um Negro Corpo

Nas margens
Dos lados
Um corpo negro esquecido esta
O rio segue
A estrada passa
A cidade cresce
Esquecido esta um negro corpo
Coreógrafos de um oco
Pastos em passos dos loucos
Trilhas caminhos do torto
Negro um corpo esquecido esta
O aço corta o frio
A noite um canto ninho
Um navio esguio linho
Esta um corpo negro
Costuras agulhas vivas tumbas
Febre saudade funda
Um morto em osso retumba
Um negro esta
Argila em vão continente
Artesanal em tom de gente
Surra menino chicote e serpente
Um esquecido esta
Frio imóvel numa tangente
Inútil pedra semente
Um morto um furo um poço
Toda sã mente


Festa dos Reis

Eu quero é bois de rodas e reis
Giros da saias das moças
Gentes de pés no chão.
A Palavra vibrando solta rouca na voz
O barro socado no sol vermelho dos maracatus
Fazendo a festa nas ruas dos mundos
A luz serpenteando lambadas de poesia e fé.
Erguem-se castelos em rezas e movimentos,
Ervas e histórias, retalhos e costuras,
Estampas e bandeiras.
Tudo é festa por dentro
E o tempo fica preso no ar
Então vamos cantar meninos!
Pois temos uma farta mesa coração


MARKO ANDRADE

Monday, December 11, 2006

Próxima Atração

eu quero que você desapareça aos poucos
a lágrima que seca depois de alguns goles
se possível que desapareça à noite
como à noite a gente some no íntimo dos outros
mas antes deixa um vício consumir o que há de podre
nojo de si mesmio, amor demais, tudo que mente
as coisas que aprendi a odiar tomando um porre
o medo, por exemplo, mexendo com o que a gente sente.
eu quero falecer ao meio-dia
sem saber se o que eu sentia era morte ou solidão
agarre a minha mão agora e sinta
o calor que acumulei no decorrer desta canção
eu vou falar de amor na poesia
e eu vou lhe dar a flor, essa vermelha ilusão
vai tudo funcionar como eu queria
e você vai me perder ao terminar essa atração.


ALEXANDRE FRANÇA
FOTO: NINA SIMONE M AÇÃO

Presente da Ju para Maris e para Carluxo



ELA


amor

amar ora em Roma
agora minha Imperatriz
depor por portar
abrir a porta
ser poeta por
inerte sentimento
sente senta que
livre escura nuvem
gosta
enfeita
festa
comemoração de amor
sanidade hospitaleira
nada
minuto mínimo
história real
casa de areia mar
ame amar
cloro piscina concha
prazer paixão só
sopro vento vai
vão
música som
canção sabe mãe
amor na mão
arco-íris cor
obra de arte faz
em teus olhos.

Ele

transe
trânsito
hipnose de louca paixão ser
desejo inconsolável
ciúme quente esquisito de quem dá em cima
matar o coração que dói agora esperas esperas,
pontes, pontos, links
finais existentes em nuncas
fontes,
cachoeiras de prazer
sonhos sem semem contato
são iguais a fabricar idéias em travesseiros
bordados na cama abraço
que sorri quereres agora.



JUJU Hollanda




mulher linda
das duas cicatrizes perfeitas de cesariana

que eu não ví,
mas ela disse num poema
e eu acredito.

mulher que sente com o vento,
o tempo, a lua, a bebida e as estrelas...



mulher que dança tango nas nuvens
que dança mambo no asfalto
que baila poemas no corpo
e canta mares de amor.


juju hollanda

"a vida, mesmo bandida, dá presentes inusitados. Juju é um deles.

rock a 4 mãos

romã e carol

viva os negros do black!
viva os negros do black!
viva os negros do black!
ou seriam os bezouros britânicos?

não preciso de topete, nem preciso de jaqueta
suba na minha garupa, baby
vamos brincar de ser estrelas de cinema

a little less conversation, a little more rock'n'roll, please

um bend rasgado, um guitarrista apaixonado
levando à risca a batida de uma vida arriscada
transando ópio e sutiãs ao vento
como um vírus sem cura, ele ganha o mundo

baixo, baqueta, palheta
rebeldes sem/com causa, uni-vos!
god save the queen?
não, deus guarde o clube dos 27

2000: camisa de flanela, moicano, bata hyppie, spikes, cabelo colorido, coturno, all star, bolsa de vinil, moptop, calça cigarrete,
tatuagem, maquiagem pesada, piercing.
anarquia de grife!

nem lennon e yoko
nem sid e nancy
nem courtney e cobain

e o filho pródigo sempre retorna aos palcos,
porque essa turnê é eterna

calma, groupies, o rock não acabou.






Elas são lindas de tudo!

Deus salve as meninas!

Florbela Espanca


Eu não sou de ninguém...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
Há-de ser luz do Sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há-de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes!

Há-de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfurna as velas sobre os mastros!...

Há-de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!

Florbela Espanca*



Tuesday, November 28, 2006

Dançarina Espanhola

Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos

suas línguas de luz, assim começa

e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arcos aos trêmulos arrancos.


E logo ela é só flama, inteiramente.

Com um olhar põe fogo nos cabelos

e com a arte sutil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,

saltam os braços nus com estalidos.


Então, como se fosse um feixe aceso,

colhe o fogo num gesto de desprezo,

atira-o bruscamente no tablado

e o contempla. Ei-lo ao rés do chão, irado,

a sustentar ainda a chama viva.

Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,

pisa-o com seu pequeno pé preciso



Rilke

tradç: Augusto de Campos

Saturday, November 25, 2006



Paixãonolina da Poesia
(para Gisele)

Os veículos das poesias movidas a paixão
Circulam nas avenidas ininterruptamente
Transitam pela contramão dos conflitos na dor
Enquanto os poemas-automóveis estacionam na mente
Esperam abastecer seu tanque-espírito de amor
Com litros inflamáveis do combustível adolescente.


Sandoval Fagundes, quinta-feira, 23 de novembro de 2006

De Lúcia

Comparecimento

Compareço
do leito ou da pedra,
com pólvora em todos os sentidos.

Compareço:
gatilho na ponta dos gestos,
em fogo e bala, à espreita.

Compareço e me vou.
Aceitei por condição.
Não oculto
as linhas de loucura
que me lutam.
Rebento em pleno vôo.

Aqui estou
por própria culpa.
Possuo o desespero
residente
naquilo que construo.

Não recuo
dos deuses. Enfrento
o seu semblante satisfeito,
rejeito
a luz e o erro,
com a mesma carnação
e o mesmo jeito.

E se a recusa vier de vossa parte,
vivo em metade,
vivo separado.
Não pretendo ser salvo.
Vivo explosivo, áspero,
mas vivo.

E sou meu próprio alvo.


Carlos Nejar

Muitos Beijos Poéticamente cor de Violeta pra vc!!!






NINGUÉM É PERFEITO.

A minha imperfeição é
Não estar junto de você.
Anda.. Anda logo! Me dê uma chance.
O ano está terminando.
E meu desejo minando
e não quero que seque.


Dalberto

Sunday, November 19, 2006




Contemplo o lago mudo

Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?




Gota d'água

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção,
faça não

Pode ser a gota d'água
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não

Pode ser a gota d'água

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção,
faça não

Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água

Chico Buarque (1975)

Monday, November 13, 2006

Metamorfose solta




Metamorfose solta

pobres vegetais de apartamento de raízes limitadas pelo fundo do vaso.

pobres passarinhos adestrados encarcerados num mundo pequeno sem nem um pedaço do céu.

pobres dos moradores da Barra da Tijuca cercados pelas grades de seus medos condomínicos.

pobres acadêmicotécnoletrados, de galhos podados pelo gramático jardineiro.

tadinhas das palavras de dentro do dicionário todas encostadas no muro tomando dura da polícia.

pobres dos cárceres da convicção e coitadas de todas as certezas.

dá dó dos detidos pela Colônia Penal da Realidade.

que pena dos algemados pela lucidez, escondendo a loucura por debaixo do tapete da moral.

negando a doideira como quem nega a morte.

coitados dos que cabem numa identidade, dos que cabem numa cidade, num país, num mundo!

que pena dos oprimidos pelo amor!

a existência é um mucado de nada despejado no meio de tudo...

mas se você me influenciar meu bem

eu posso virar a casaca

o mundo muda mudo o mundo muda muito rápido

e daqui há um segundo

eu posso até falar tudo isso

ao contrário.

dudu

Milagre de Ternura

Milagre de Ternura

Perto de você respiro a sua alegria

sinto o seu cheiro e a sua fantasia

meus olhos brilham de desejo
o peito palpita já não sinto saudade de nada nem ninguém
você me faz um bem enorme

a vontade de dançar e
me faz sorrir

vamos nesse embalo bom de gostar
vamos nesse ritmo frenético que nos leva ao frenesi
não vejo a hora de nos darmos bem pra sempre

nosso tempero nos completa

nossa certeza mistura calma com delícias
numa explosão de mãos dadas
somamos muitos carinhos até chegarmos aqui
navegaremos nos mares mais callientes do sul
nas milongas dos nossos beijos e abraços
promessas de mil ondas na linha da espuma
os nossos corpos nos saveiros e nas escunas
dos nossos prazeres

Milagre de Ternura
sensações que vibram
com todas as forças
mágicas do universo
o amor de nós dois

De Alfredo Herkenhoff
Todo carinho, Maris



Sunday, November 12, 2006

...pegadas de juju....




Incomensuráveis pegadas no amor
Areia brilhante de algodão e sombras
Diamantes longínquos na efemeridade da morte
Em cada poste acende noite
Doce o calor colore dedos
Concorda sentidos
Sou o que sabe ser
Trânsito de margaridas
Chá de jasmim
Alvorecer brando entende a sorte das coisas tontas
Sobrevivem as famintas gaivotas na nuvem da tua cabeça
A respiração pára
Pés consoantes rumam em direção ao desconhecido
de fazer poemas noturnos
procurando os porquês.


de Juliana Hollanda

Costureirinha





PROJETO AR DUO
por Fernanda Antoun e Alex Topini

COSTUREIRINHA



coser os homens à vida
à casa
saia dos dias
barra do tempo
o silêncio
coser o canto
a manga
o nó
modelar a fibra
ponto-a-ponto
cada peça
entre sobras o justo
o raso, o vôo
mesmo que o novelo estéreo
ainda que agulhas estanques
a ferida calo
ave lã

Um homem amando o amor sem medo

você que entra em meus sonhos...

se quiser me fazer parar, me perder
me fazer sentar e escrever ou falar
venha me fazer!
abraços, braços, boca, alívio
enigma felino
tudo numa pessoa só

são como luzes que se acendem aos poucos e não se vão
como ventos macios e lentos que perduram
e assim que vejo seus olhos,
um sorriso desconcertado me vem
porque não sei o que dizer

soluços, alegria, mãos e cabelos
abraços, braços, boca, você
tudo num instante só
tudo no momento certo em que o tempo deveria parar



de Sauloo Jacques para naira streb


Vinícius, Vinícius, Vinícius..........



Dialética


É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

Mortalhas da Luxúria


Sopra o ventre universal a surtar de tempos em tempos.
A de nos cobrir de beijos a boca rubra ao venerarmos a simples existência.
A essência da busca apaga as cores que me perseguiam através do caminho.
Acordo estirado a esmo em meio ao enxame de bosques anêmicos, lacrimejando orvalhos estrangulados, suando uma dor suada e comestível em um êxtase indecifrável, aonde emergem da clareira os esboços de um alvorecer decepado pelo meu grito que traduzia eu Ter achado o que sempre profetizei como herança.
A vagabundagem, a bebedeira, vários e enigmáticos delírios e finalmente a amnésia.
Minha calça e botas, para não esquecer também a camisa, são ornamentos de cinzas e manchas de dias, noites e madrugadas bem vividas. Mas, não vívidas em minha mente.
São minhas mortalhas de luxúria.
Com o olhar irônico e o corpo em mutação eu corria atrás de algo para refrescar o meu semblante que insistia em um estado frenético, nesta noite que sai para ver se a lua espelhava a terra e se a terra espelhava algum rosto.
Um rosto era tudo o que eu queria enxergar.
Para um rosto, eu tinha muita coisa a perguntar e indagar.
Ouvindo o rufar.
Sentindo o brilhar.
Olhar....

Carluxo. (registrado)

Saturday, November 11, 2006

Ele mandou bem demais!






eu tenho 30 mil alto falantes implodidos na garganta

um desejo de navalha entre os dedos

15 mil explosivos em meu

coração
eu tenho
um travesseiro pra sonhar

dois cotovelos pra me apoiar

400 trlhões de gritos entalados

27 enlatados na dispensa

uma cabeça que pensa e

um bilhão de imcompreenssões


meu corpo caminha entre os olhares feito

pedaços de unhas entre os dentes
um sorriso descontente

a gema descasca do muro
o furo no fundo do nervo
no pulso um pulo de gato
eu
tenho um poder de invenção
e um descontrole

o medo de não segurar a loucura
eu tenho 415 variedades de vícios e nunca vou negá-los
pois negar vício é se achar auto-suficiente

eu não sou auto-suficiente
eu sou o toque no outro
o toque no outro
o toque no outro
o toque no outro

de Thiago Florencio

foi no útltimo Ratos di Versos que ele surgiu e já é da casa. Escreve muito, sente muito com delicadeza e força como muitos por ali. Olhemos as pérolas que estão nas ruas. Eu o conheci num bar carioca botafogo qualquer! É Thiago! E tem muita força nas mãos das palavras. Mas olhem para baixo também! O NÚ do nosso Rato Nietzsche é desconcertante! OXALÁ! Maristela T.






Pérolas que encontro o tempo inteiro!


"é feito um prego enferrujado que custa os olhos da cara prá sair
paródia italiana de um fado,
braço arrancado que não quer sumir
é a pergunta para todas as respostas
a barraca de beijos da quermesse
é a facada que você leva pelas costas
porque merece."
Ivan Justen

Tuesday, November 07, 2006

Lúúúciiiiiiiiaaaaaaaaaa............


Livre Acesso***
Acesso o Azul que vem
de TI
Penso n'alguma coisa distante e perto
Danço em Versos
Clareio como
A madrugada que
deixa o anoitecer
Deitado; sozinho... Alvoreço!
Sonoramente esqueço!

Porque há a desmemória...

No sentido paralelo que Somos;
Nas vias transitórias por onde passamos
Um dia
Liricamente poética; Romântica e Abstrata
Trato de reinventar os meus
Dias
Minhas noites
Meus caminhos
Neles;
Sozinha!
Tudo era vidro e se quebrou...
Assim, tão de repente como um estalo!
Como um tiro
Apertei o gatilho...
Conheço bem essa
ARMA.
Fomos!
Ontem já foi;já era
Nem interessa...
Vivo do HOJE
Por isso, sou Feliz!

Lúcia Gonczy

Ser DAN


Ser fera,
ser forte,
ser rato
Roer a roupa do rei de roma em romaria na Bahia Roer,
até o último átomo o tutano do osso da vida,
na ebulição mística do dia-a-dia

Devorar,
sem dó nem piedade a lógica perversa da mediocridade média classe

Atacar, sem vergonha nem pudor,
a sanha assassina da mentalidade fria que ceifa toda beleza e poesia.

Ser fera, ser forte, ser fato
...............................................................................................



O Homem sozinho é nada
Este só se realiza quando joga o coletivo

É na cidade que o homem é pleno, ouvindo o canto em coro das cigarras em meio ao riff das buzinas dos carros
A cidade é esse despautério, essa Amanda Petardo, uma coisa meio impalpável, abstrata, entocada ali, entre as Brumas de Àvalon e as sombras do Tártaro, mas ela existe e resiste. Brava, bruta, doce, ácida.

A vida urbana é um desafio. Ás vezes você passa noites a fio de navalha pensando em como a solidão na multidão dói mais, mas, é impossível ser pessimista com a vista do mirante do Leblon ou do Corcovado elevado aos céus. O pôr-do-sol no Arpoador, então, é um campo de força contra a melancolia. Se por acaso, porém, ela invadir seu território, lembre-se que o homem solitário é só uma palavra solta no dicionário, então....vá procurar sua turma!

O grande barato da cidade é a liberdade de impressão que ela nos dá. De experimentar as milhões de sensações que a mesma praça te passa. Assim é a cidade: ilógica e mágica, à imagem e semelhança de seu criador


Dan


-Dan-



Monday, November 06, 2006

Rilke


Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é meu açoite.

Só. da boca o que eu faço agora?
Que faço do dia, que faço da noite?

Sem paz, sem amor, sem teto,

caminho pela vida afora.

Tudo aquilo em que ponho afeto

fica mais rico e me devora.


R. M. Rilke - Tradç: Augusto de Campos

.........................................................
Com ele:

Então me devora noite e dia e
madrugadas afora sem que eu
escolha
os talheres de prata ou
mão.
Sem que eu chore lamento
ou sorriso,
só constatação. Assim,
os goles de vinho ainda
manterão
o bem-estar sem
orientar a vida.

Maristela Trindade

Nosso Rato Filosofal

MARCELO NIETZSCHE

Uma poeta se debulha esperando Isadora Duncan

Eu vi a uva
vi o vinho
eu vi
a uva no vinho
o vinho na unha
o vinho ...
eu vi no sangue
a uva, o vinho
o beijo da lágrima
eu vi
Alôôôô
te amo como não
te quero como não
te uso como não
te sonho como não
como não te amo
como não te quero
como não te abuso
como não te sonho


o des-carnado

Para Maristela, descarnado do descanado livro 20 poemas com brócolis, de Roberto Piva. Está em Obras Reunidas, volume 2.

mestre Murilo Mendes tua poesia são
os sapatos de abóboras que eu calço
nestes dias de verão.
negócio de bruxas.
o sol caía na marmita do
adolescente da lavanderia.
você veria isso com

seu olhar silvestre
um murro bem dado no virtual
que eu mai adoro.


("Eis a hora propiciatória, augusta,
A hora de alimentar fantasmas")
Murilo Mendes

nietzsche, a-correntado


POEMAS PARA RATOS (uma série)

Um poeta veste a fantasia enquanto se despe
eu corro, salto, rodopio, solto fagulhas e versos
falo a fala falada de quem fala a mesma língua
que se enrosca nas palavras e no beijo roubado
pulo pros lados, pro abraços e amassos
viro pro lado, dou pirueta e um salto mortal
mortal não; desses de circo talvez e não falo da morte
somente a da lagarta, porque depois surge a borboleta


o des-carnado
(ele existe)



Sentinela


Sentir nela,
a sentinela
de si
sinais de amor.

Deliciosa tristeza que trás prazeres de querer mais sentidos dos que já tem,
e assim
a doida acha que equilibrará os desejos
de uma poeta que
que vive por
sentir
sentir
sentir
Um bride ao morango!!! t amo

Juliana Hollanda
Óleo de Maristela Trindade






Friday, October 27, 2006

Canção de Malazartes (ela)


Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,

ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
Não desprezo nada do que tenha visto,
todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.
Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,
destelho as casas penduradas na terra,

tiro o cheiro dos corpos das meninas sonhando.
Desloco as consciências,
a rua estala com os meus passos,
e ando nos quatro cantos da vida.
Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado

todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.
Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,
destelho as casas penduradas na terra,
tiro o cheiro dos corpos das meninas sonhando.
Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,
ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
Não desprezo nada do que tenha visto,
todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.
Desloco as consciências,
a rua estala com os meus passos,
e ando nos quatro cantos da vida.
Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado
amor,
tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos
e a pedir desculpas ao mendigo.
Sou o espírito que assiste à Criação
e que bole em todas as almas que encontra.
Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo,
nada me fixa nos caminhos do mundo.

Murilo Mendes
- retrato por Guinard

Emburacada nas tuas letras


Um Poema de Amor


todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar - eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

poema de Charles Bukowski

Eu queria passar um tempo nessa cara esburacada sendo o ouvido e os teus sons vividos.
Às vezes eu não erro. Destruo.
Tá aí o tempo-silêncio dizendo que nada vou conseguir consertar.
Faço xixi na rua quando louca ou quando apertada
e aprendi a levantar o queixo grande apesar de me ver toda errada.
Uma errata.
Prefiro a empáfia e o comedimento de saber que fiz, por falas alheias ou pela consciência atrazada do q não fazer.
Chove nas ruas a moral dos outros, o mundo dos outros, a mentira dos outros e
eu quero sol.
Às vezes da vontade de criar vacas prá ficar levinha mas não vou.
Se eu sou a que devo idoniedade a mim,
sou também a que tem que entender que sim.
Sim: faço muita merda e voce vê.
Faço uma inesquecível deixando os vestígios
e as marcas disso tudo
sou eu mesma.
Levanto novamente o queixo camuflando arrependimento, sigo em frente, de um lado, do outro lado e vou ouvindo Tom Waits, Lou Reed, Billie, batuques muitos e pronto.
Se a bebida me deflagra rancores, pudores, recalques,
que eles saiam de mim sambando.
Eu também não desejei nenhum dos tapas na cara que levei ou dei.
Sou som e dança.
Prá que fingir o TAO de ser felíz?

Buk, voce não teria nada com isso se não fosse os
buraquinhos na cara dos teus poemas onde eu quero passar as férias.


maristela trindade

Batom


Algemas invisíveis amarrando almas
Praças e precipícios, bêbados nas madrugadas Montanhas de tédio, de prédios a fio Mentiras de saias, lagoas e praias São tolas as moças que pensam lograr Poetas e loucos conhecem o mar O amor e o amar, o ódio, o odiar As artes do homem, fingir é forjar - Amemos a nós dois como a nós mesmos Expelindo as nossas mentiras a esmo Nas loucuras da lua, nos embriagar e dançar... Façamos das nossas vidas uma singela prece Mas moça, não apresse o que é eterno Não engane o sentimento verdadeiro, fraterno - Que a sua tocaia de Puma feroz Me pegue veloz, pois eu sou bem ligeiro Trago no peito, a raça do meu Paraná E bebo a malandragem ébria do meu Rio de Janeiro
....
O LADO ESCURO DA LUA

Deixe-me ir
Sorrir pela minha solidez
Contornar o contorno
Em torno de seu coração

Pisar em terras secas
Umedecer corpos secos
Deitar em berços desconhecidos
Pulsando pálido, mirrado de amor...
-
Outono é estação das folhas
Caídas, apáticas como tu
Inverno é frieza na alma
Vento minuano a me congelar

Devastando culpas e meas verdades
Salgados enganos em perversidades
Mocidade tola deleitando o corpo
Gozando afoita, a brevidade de ser
-
Sou entre os pinheiros, o mais alto
Entre os cordeiros, o mais safo
Entre os homens, o mais devasso
Pesadelo das putas e das donzelas
-
Deixe-me ir
Navegar por outros sertões
Embriagar as multidões
Com melancolia e tristeza
-
Sou entre os que cantam, o que se cala
Entre os que silenciam, o que mais fala
Entre os perdidos, o que se encontra
Eu sou a ponta da faca no peito, eu sou a ponta

Polak Poeta

Tuesday, October 24, 2006

Esse homem é MUITO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



esssa vida tão longe do mundo
meu tudo
esse tudo tão longe do dentro
meu eu
obscuro
tanto dentro
tanto tudo
tão longe tão fundo

quanto viver cabe nessa dor
mesmo que seja a sorte uma morte
quanto prazer seja onde for
pra que a vida reste mais forte

no presente me planto
viver mesmo que doendo
morrer sempre que gozando.

para maris..............sp 17.10.06

Wednesday, October 18, 2006

eu abalo CÍSMICO, voce minha SISMA


eu preciso beijar voce deitar voce, me dar voce desvendar sua geografia perder a ironia de não te saber de cor se meu espelho me revela na calcinha vermelha encharcada de tudo que dentro em mim treme. Treme e torce líquidos que quase me afogam e se a minha fisiologia ainda não cometeu tal delito é porq expulsa o excesso quente e me cansa, descansa, dando-me a chance da espera. Logo eu que sou da dança me comprimo em celibato e erro tudo ao meu redor. Descompensada, quase dando risada dos atrapalhos que cometo te querendo. Que desvario é esse no bico dos meus seios, nos batimentos cardíacos, a falta de ar? Queria que a minha mão fosse a tua, meu dedo fosse o teu em penetra ação. Tens idéia da infinitude do meu corpo quando te imagino me tocar? Como se eu, um tanto miúda, ganhasse proporções de mar, de céu, de terras movediças e a velocidade da luz, lá longe, lá não sei onde! Com todas as músicas podendo vibrar em sons que ressonam de todo universo.
Eu abalo Sísmico.
Voce minha cisma.

Tuesday, October 17, 2006

Poeta fora da gaveta



Linda flor das Varandas de Botafogo,
que sol misterioso,
hoje,
atravessou as venezianas que lhe protegem a retina?
Como me envias uma pedra-poema diamante,
meticulosamente,
lapidada,
por mãos de ourives sábios,
cultivadores de saberes milenares e ocultos?
Sim,
guardarei no meu mais bem protegido cofre,
a sua jóia e seu esmero em criá-la.
É o mesmo cofre onde estão depositados nossos sonhos,
utopias e orações secretas,
a primeira fralda,
a mamadeira e a colher do primeiro mingau.
É um cofre de espelhos,
onde sempre nos achamos quando nos perdemos
e, temos muito bem-guardadas,
todas as regras dos jogos de esconde-esconde existentes.
É alí,
no mais recôndito esconderijo do coração,
nas recâmaras onde só filhos e amores entram,
que ficam bem dobradinhos os poemas,
até que um dia,
eles exijam vozes e apresentações.


TEXTO DE JOÃO LUÍZ-
Poeta e Assessor de Cultura da UNIVERSO.
Pintura de Alexandre Novis

A vida veja


A Vida Veja

e que essa carícia seja
em seu sorriso
o olhar preciso
de um beija-flor

sua poesia deixa
você nunca
morrer
de amor

e o silêncio agora
espelha em
seus olhos sonho, o brilho
ileso de uma boa idéia.


(p/Maristela Trindade)

Deste poema não traço maiores comentários, é uma forma de carinho possível que o Rocinante me permitiu. O trabalho que o ilustra é de Fabrice Langlade e expõe de maneira ainda mais clara a delicadeza que eu quis para o poema. É isso. Robson Leite

Classificado Literário



Precisa-se de moça
De fino trato.

Para momento agradável
De elaboração
estético-poética.




De mão leves

e idéias firmes.
Que saiba digitar e
passar os dedos
Sem machucar as palavras.

Que tenha habilidade
Para mobilizar a platéia.
Que saiba utilizar
Meios seguros
para finais bombásticos.

Que não seja escandalosa
mas entenda de prosa.
Que saiba manter a neutralidade:
Entre: maiúsculas e minúsculas;
orações subordinadas e coordenadas;
sujeito e predicado.

Que tenha objetivos diretos
Mas nunca dispense o objeto indireto.
Que saiba intrigar
Sem criar mutreta.

Que construa tramas
Sem destruir corações.
Que pratique boas ações
Principalmente as em alta.
Não precisa estourar o pregão
Mas que saiba evitar a queda da bolsa.
Pois boa moça
Não vacila com bolsa.

Que saiba dar
Tratos a bola,
ou então
Bolar contratos.

Armar bom contrato
É um raro exemplo
de fino trato.
Que seja por extensão
Contra os maus tratos.

Que saiba fazer
A ligação entre a defesa e o ataque.
Que não pratique faltas violentas
Nem precise jogar na zaga.

Ah!!!
E muito importante
Não seja zangada !
Que tenha alegria
E não entre em fria.

Que saiba dar passes
Na Zona do Agrião.
Se quiser aproveitar
Pode fazer uma boa salada
orgânica, sem agro-tóxicos.

De preferência, salada-de-frutas
Com as frutas da estação
Aproveitando que no Rio
É sempre verão.

Oferecemos:
Trama complexa
Enredo Vigoroso
Episódios Completos,
Sem finais incertos.
Suspense Garantido
Vaga no elenco
Direito autoral
e
Roteiro original !

Cosme Velho, 10 de outubro de 2006.

Ricardo Muniz de Ruiz


LAPA LAPA

lAPA LAPA
Para Maristela


Lapa tem lá
Lapa tem pá
Maristela tem pique
Mandou me chamar
Vou lá

Vou Lapa Lapa

Vou Lapa Lapa
Eu vou Lapa Lapa

Vou apelar na Lapa

Apelar na Lapa
Apelar na Lapa

Maristela disse
Maristela falou...

Maristela...........falou e disse

Apê lá da Lapa
Apê lá da Lapa
Apê lá da Lapa

Lapa tem pá...


João Saboya em dia de Ratos di Versos me dando mais um precioso presente poético-musical nessa vida. OBA!

Wednesday, October 04, 2006

Testamento mágico







Quando eu morrer, quero estar bem velhim
Quando eu morrer, quero estar bem feliz
Quando eu morrer, quero estar sonhando
Entre desenhos, rabiscos de giz

Quero estar brincando de ensinar
a tod'as crianças desse mundo
a enfrentar os problemas a fundo
a preservar a terra e o mar

Quando eu morrer, quero a paz na praça
Nada de injustiça, nem trapaça
nem políticos radicais ladrões
Apenas o amor nos corações

Quando eu morrer, quero as lindas canções
Cantando o bem-querer qu' exist' em mim
Quando eu morrer não vou perder você
Quando eu morrer, é pirilimpimpim

do belo,
Alfredo herkenhoff

Tuesday, October 03, 2006

Me inspira


botões

uma carta na manga
gola levantada pra engolir meu pescoço frio numa noite de inverno
manga cortada, descascada e disposta em versos,
pedaços rimando com pedaços, doces pedaços ritmicos


cartas! na manga que ainda não é doce
cartas que ainda não são marcadas
com versos íntimos e segredos públicos...
um gole de lágrima antes de dormir


gola que a cada gole se encolhe e me enforca
entorta a esquina, vira o aço dos meus nervos
que se faz e desfaz quando peco em pensar o quão pesado o meu passado ainda é


................................................................................por Saulo Machado...blog: Corpos na Lona